Designer de bolsas brasileiro está em reality show de moda nos EUA
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011“Project Runway”, o reality show de moda apresentado por Heidi Klum há nove temporadas, deu frutos: estreou na TV americana o “Project Accessory”, seguindo a mesma fórmula da competição entre estilistas, mas apenas com designers de acessórios. E, entre os 12 designers que participam do reality show está o brasileiro da cidade de Pindamonhangaba (SP) Diego Rocha, vencedor do Independent Handbag Designer Awards de 2011, o Oscar das bolsas nos Estados Unidos. A mãe, Aurora Canassa, era modelista de Denner, Reinaldo Lourenço e Conrado Segretto.
De Chicago, onde vive desde 2005, Diego contou que cada semana tem que surpreender a apresentadora Molly Sims e o júri com um design diferente. “Você chega no workroom com camiseta tamanho P e ela vira G depois de 18 horas de trabalho por dia”, revela.
“Meu primeiro acessório criado no reality foi um colar de metal. Sofri para cortar aquelas folhas douradas. A atriz Kelly Osbourne amou uma pulseira, que chamamos aqui de ‘joia perigosa’, cobrindo da mão até o antebraço. Fiz também uma clutch cinza e roxa – adoro essa combinação -, e um cinto num tom abaixo do púrpura para ser usado com um bodysuit pink. O desafio é criar acessórios com os quais a pessoa possa ir para a rua e o bodysuit era um espanto,” disse Diego, que ainda tem três episódios pela frente no programa, uma produção da Weinstein Company and Good Bye Pictures, que vai ao ar toda quinta-feira às 22h e ainda não tem estreia nem canal previstos no Brasil.
Além da hostess do programa, a atriz e modelo americana Molly Sims, Diego é avaliado por um júri formado pelo designer Kenneth Cole, famoso pelos acessórios que cria há 25 anos e pelas causas humanitárias que defende, Ariel Foxman, editor da revista InStyle, Eva Jeanbart-Lorenzotti, mentora dos participantes ao longo dos oito episódios, e convidados como as atrizes Debra Messing e Kelly Osbourne. O vencedor receberá US$ 100 mil do eBay Fashion para começar sua própria linha.
“A divulgação vale para mim mais do que qualquer dinheiro. Milhares de designers no país inteiro se candidataram. Quando soube que tinha sido escolhido fiquei apavorado. Foi a melhor e maior experiência que já tive, a de estar com os 11 designers e ser a única pessoa que fala esquisito. Se eu ganhar, o dinheiro vai me ajudar a abrir minha loja em Miami. São tantas as oportunidades, e quero ser bem esperto para aproveitar”, afirma Diego, que foi convidado a participar da seleção do reality quando ia para Nova York receber o prêmio no Independent Handbag Designer Awards pela sua bolsa Baby Jane.
Desde que abriu seu estúdio em Chicago, em 2006, Diego já fez 3000 bolsas. São todas costuradas a mão e confeccionadas em peles exóticas como crocodilo, píton, avestruz (material da bolsa vencedora do prêmio), anaconda, lagarto e outros bichos. “Tenho mais de 200 cores, e descobri que nem sempre a cliente quer o que o designer oferece”, afirma Diego, que abriu sua loja em outubro de 2010. “Minha loja aqui em Chicago fica num bairro como o dos Jardins em São Paulo, um bairro cheio de mulheres prontas para gastar. Ao abri-la aumentei quase 70% da minha clientela. Cada coleção tem de oito a dez bolsas. Trabalho com um joalheiro que faz ferragens exclusivas para cada modelo”, diz Diego, que leva de seis a oito semanas para fazer uma peça.
Autodidata, antes de virar designer, trabalhou 11 anos como gerente financeiro de uma empresa em São Paulo. “Minha mãe, Aurora, modelava para costureiros famosos. Peguei mais a fase em que ela fazia modelagens para Reinaldo Lourenço. Tenho mão pesada para roupa. Minha mão é mais para martelo, mas a modelagem estava no meu sangue”, conta Diego, que tem muitas clientes americanas, mas apenas uma brasileira: a própria irmã, Lu. Foi para ela que fez a primeira bolsa em tecido com três zebrinhas e alça preta de bambu.
“Tenho uma cliente, Gigi, que já comprou 55 bolsas minhas”, orgulha-se Diego, que morava em Nova York e, a pedido da irmã, que morava em Chicago, foi passar dois meses na cidade. Acabou ficando. “O mercado de moda aqui não é tão fashion forward como o de Nova York mas tem poder de compra”, garante o designer, que dá o segredo do seu sucesso: ”faço um trabalho único num país como os Estados Unidos ,onde tudo é industrializado, e minhas clientes adoram acompanhar o processo de criação escolhendo a cor do forro ou uma ferragem-joia”.
Seu plano para 2012 é “abrir uma loja em Miami, também sou filho de Deus e preciso de sol”, afirma Diego, que no começo de fevereiro vai para Florianópolis em busca de calor e carnaval.
Fonte: G1